Falcões e Sabores do Ribatejo 1 dia

110 Euros

Tour de enoturismo dedicado aos vinhos do Tejo, em que atravessamos este rio até à lezíria ribatejana, fértil região agrícola onde pastam cavalos lusitanos e gado bovino. Em Salvaterra de Magos (1) visitaremos a Falcoaria Real, onde veremos ao vivo falcões e outras aves de rapina. Um dos falcões fará uma simulação de caça no exterior. Provaremos uma Ginginha de Salvaterra num produtor local, antes de seguirmos até uma quinta de produção de Vinhos do Tejo (2). Se não chover, damos um passeio pela herdade, para vermos a vinha, o montado, o olival e a éguada. A prova de vinhos do Tejo será acompanhada dum snack de iguarias tradicionais. Após o almoço em Almeirim (3), capital da Sopa da Pedra, visitaremos a Casa dos Patudos, em Alpiarça (4), um palacete do séc XIX repleto de colecções de arte. Passaremos ainda pela típica aldeia de pescadores do Escaroupim (5). Quem preferir pode optar, após o almoço, por ir a Santarém (6), à Igreja da Graça, onde está sepultado o descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral.

1. Na Falcoaria Real de Salvaterra de Magos aprenderá muito sobre a arte da caça com falcões no séc XVIII, em Portugal. O edifício foi mandado construir pelo rei D. José I, para albergar 14 falcoeiros e 60 falcões. As espécies eram usadas de acordo com as suas aptidões para os vários tipos de caça: para voos de alta ou baixa altitude. A falcoaria em Portugal entrou em declínio no séc. XIX, devido às invasões francesas e à fuga da família real (D João VI) para o Brasil, mas também devido às armas de fogo. Na visita veremos dois pombais oitocentistas restaurados, únicos na Península Ibérica. Neles criavam-se os pombos que serviam de alimento e de treino aos falcões. Por fim, em campo aberto, assistiremos a uma emocionante demonstração da técnica do falcoeiro e da ave. A arte da falcoaria foi considerada em 2010 Património Cultural Intangível da Humanidade, pela UNESCO. À saída beberemos uma ginginha num produtor local.

2. Num conceituado produtor de Vinhos do Tejo (Casa Cadaval ou Quinta do Casal Branco) iremos ver o processo de fabrico dos vinhos e passear de tractor pelos campos. Este passeio, porém, depende das boas condições meteorológícas. Depois, provaremos alguns vinhos junto com pão, queijos e enchidos. Os produtores do ribatejo não se dedicam só à vinha, produzem também cortiça, azeite e culturas sazonais (arroz, tomate, pimento, melão, cereais). Alguns têm uma coudelaria, dedicando-se à criação de cavalos lusitanos, e/ou ganadaria, criação de gado bovino. Vamos ver tudo isto no passeio. No passado o Ribatejo produzia enormes quantidades de vinho a granel para os restaurantes e tabernas de Lisboa, bem como para as ex-colónias. Nesse tempo o objectivo era a quantidade e não a qualidade. Nos últimos 20 anos a região foi submetida a mudanças nos campos e nas adegas: a quantidade de vinho diminuiu mas a qualidade aumentou. Os grandes depósitos de cimento com milhões de litros de vinho foram substituídos por cubas de aço inoxidável, sistemas de refrigeração e pipas de carvalho para o envelhecimento dos néctares.

3. Almoçamos em Almeirim, famosa pela Sopa de Pedra. Da gastronomia local também fazem parte o touro bravo, peixe do rio, bacalhau e enchidos, sem esquecer o seu típico pão de trigo, as caralhotas, e o melão de Almeirim, colhido na lezíria. O clima do Ribatejo é temperado mediterrânico, com estações amenas, mas com influência do rio Tejo na temperatura e na fertilidade do solo. Junto às margens do rio o solo é mais fértil, devido às inundações de Inverno. Porém, é nos terrenos mais afastados da margem, mais pobres, secos e calcários, que as uvas amadurecem melhor. Entre as castas tintas típicas do Ribatejo encontram-se a Trincadeira e a Castelão. Como a legislação permitiu a introdução de outras castas portuguesas e estrangeiras, também se produz vinho tinto ribatejano com Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon ou Merlot. A casta branca mais plantada aqui é a Fernão Pires, por vezes misturada com Arinto, Tália, Trincadeira das Pratas, Vital ou com a internacional Chardonnay. Quanto ao sabor, os brancos são muito frutados, com aromas tropicais ou florais. Os tintos são jovens, aromáticos, de taninos suaves.

4. Depois do almoço dirigimo-nos para norte, para Alpiarça, onde iremos a um belo palacete que pertenceu a José de Mascarenhas Relvas - estadista republicano, diplomata e coleccionador, que viveu de meados do séc. XIX até 1929. O palacete chama-se Casa dos Patudos e deve este nome ao facto de existirem muitos patos no local. São muito interessantes as suas colecções de mobiliário, porcelanas, pinturas, esculturas e tapeçarias.

5. Antes do regresso, ainda passamos pela aldeia piscatória do Escaroupim, localizada à beira do Tejo, rodeada de beleza natural. Esta aldeia surgiu por volta de 1930, com os pescadores nómadas que deixavam Vieira de Leiria (norte) durante o Inverno, devido ao mau estado do mar, para virem pescar no Tejo. Como ainda hoje se verifica, as suas pequenas casas de madeira colorida eram assentes sobre estacas, para evitar que a água do Tejo entrasse. Poderemos visitar uma delas. No local é possível avistar inúmeras espécies de aves ao longo de todo o ano: garças, íbis pretas, colhereiros, milhafres e águia calçada. Nos campos observam-se a cegonha branca, o peneireiro vulgar, o abelharuco, a cotovia de poupa e a andorinha das barreiras.

6. Se preferir, após o almoço poderá ir ao centro histórico de Santarém visitar a Igreja da Graça, mandada fazer no séc. XIV pelos Eremitas de Santo Agostinho. Representa dois estilos góticos: o mendicante, austéro, de inspiração religiosa; e o flamejante, ostensivo, presente no portal da fachada e na sua rosácea. Possui uma grande colecção de mausoléus e lajes sepulcrais brazonadas. Nela está sepultado, em campa rasa, o descobridor do Brasil (1500), Pedro Álvares Cabral, bem como o Governador de Ceuta, D. Pedro de Menezes e sua mulher, num túmulo com um magnífico trabalho de escultura, assente sobre oito leões.

Duração: 
8-9 horas
Deve levar: 
Sapatos confortáveis fechados de sola aderente, roupa adequada à estação e binóculos. No verão deve trazer óculos de sol, protetor solar e chapéu.
Condições: 
Preço por pessoa (partidas da Ericeira +10 euros). Mínimo 3 pessoas ou o valor de 3; drop in/ drop off; carrinha com ar condicionado; garrafa de água; ginginha; almoço; prova de vinhos; motorista/ guia em língua ingl., franc. e portuguesa.
Fotos: 
José Cruz; Casa Cadaval; Casa dos Patudos; CM Salvaterra de Magos.