Vinhos de Lisboa e Óbidos 1 dia

125 Euros

Começamos o passeio de enoturismo na zona de Loures(1)(2), no produtor de vinhos da Quinta das Carrafouchas - solar Barroco do séc XVIII, onde esteve alojado o general Junot durante a primeira invasão francesa a Portugal, em 1807. Rodeados de vinha, num ambiente rural genuíno onde não falta um rebanho de ovelhas, visitamos a quinta e provaremos dois vinhos regionais de Lisboa, medalhados em concursos internacionais. Partimos em seguida para Bucelas (3)(4), a capital do Arinto, onde iremos a uma adega com 123 anos, provar um excelente espumante. Após uma breve passagem pela Igreja da localidade, com decoração exuberante em talha e azulejos do séc. XVI, partimos rumo ao almoço num restaurante de qualidade da zona Oeste. O resto da tarde é passado a desfrutar da beleza de Óbidos (5), uma vila histórica rodeada de muralhas, repleta de vestígios de todas as épocas, dos visigodos ao mouros, passando pelo Gótico e Barroco.

1. A Quinta das Carrafouchas, datada de 1714, era no séc. XIX propriedade da condessa de Ega, amante oficial do General Junot. Durante a primeira invasão francesa, foi neste solar barroco que Junot viveu. A quinta viria a ser comprada em 1872 por Joaquim Franco Cannas, cujos descendentes são hoje seus proprietários. Na companhia do proprietário visitaremos a capela, o pátio, a antiga adega, a vinha, a fonte e os jardins com os seus tanques e lindas decorações em azulejos. A capela dedicada a Nossa Sra do Carmo vai espantar-nos com o seu altar de talha dourada, belos painéis de azulejos com cenas bíblicas, a abóboda com pinturas coloridas, quadros e imagens esculpidas. Na velha adega desativada veremos o lagar e os vestígios de uma prensa de varas.

2. Hoje em dia cultivam-se só as uvas na quinta, pois os vinhos são produzidos noutro local, embora respeitando o processo de fabrico tradicional, o qual inclui o estágio de seis meses em barricas de carvalho. Em apenas 4 hectares de vinha estão plantadas as castas portuguesas Touriga Nacional, Aragonês e Arinto. O solo é franco-arenoso, com um clima temperado mediterrânico de influência atlântica (invernos frios e húmidos; verões quentes e secos). A vindima é manual. Da colheita resultam cerca de 12 mil garrafas por ano, disponíveis apenas em bares, restaurantes e lojas gourmet. Estes vinhos já foram medalhados com ouro e prata em concursos internacionais. O néctar tinto é de um vermelho intenso, robusto, elegante, com aroma floral a frutos do bosque maduros e resinosos. O branco tem boa acidez, aroma intensamente frutado e cítrico, com muita frescura.

3. Partimos então para Bucelas, até à wine shop das Caves Velhas, onde provaremos o célebre espumante de Arinto, depois de espreitarmos as antigas adegas de barricas de madeira (desativadas). As Caves Velhas existem como empresa familiar desde 1881. Hoje pertencem a uma grande empresa de vinhos detentora de adegas por todo o país, a Enoport, que mantém o conhecimento e a arte de fazer vinho da casta Arinto, nas versões branco clássico - premiado internacionalmente - e espumante. Toda a produção é agora feita numa moderna indústria não muito longe das velhas instalações. Estas servem apenas para visita e local de estágio de um dos vinhos da casa.

4. O solo de Bucelas é muito mineralizado, composto de calcários duros e margas. O clima é quente e seco no Verão, mas com bastante humidade nocturna. Os Invernos são frios e chuvosos. Tudo isto proporciona um microclima favorável a um bom equilíbrio entre a acidez e os açúcares do vinho. A principal casta cultivada é a portuguesa Arinto, a qual origina um vinho classificado como VQPRD (Vinho de Qualidade Produzido em Região Demarcada). Sabe-se que este vinho foi aqui cultivado pelos romanos há mais de 2 mil anos e era muito apreciado na corte inglesa de Isabel I, tendo sido referido por Shakespeare na obra “Henrique VI” (1554). Foi mais tarde levado para a corte inglesa pelo Duque de Wellington, no séc. XIX. O príncipe regente Jorge III adorava este vinho, considerando até que tinha poderes medicinais. Também era presença obrigatória na adega do presidente dos EUA Thomas Jefersson, em 1800.

5. Depois do almoço partimos para Óbidos. É uma antiga vila cercada de muralhas, com um castelo, casas centenárias de todas as épocas e várias igrejas com magníficas decorações. Eleita uma das Sete Maravilhas de Portugal, está classificada como monumento nacional. Tem vestígos de edificações lusitanas (séc. IV a.C), romanas (séc. I), visigodas (séc. V a VI), mouriscas (séc. VIII), góticas (séc. XI-XVI), renascentistas (séc. XV-XVI) e barrocas (séc. XVIII). Foi tomada aos mouros em 1148, no reinado de S. Sancho I e fez parte do dote de várias raínhas de Portugal desde o séc. XIII-XVIII, entre elas: D. Urraca de Castela (mulher de Afonso II), Rainha Santa Isabel (D Dinis), Filipa de Lencastre (D João I), Leonor de Aragão (D Duarte), D Leonor (D João II). Iremos percorrer as suas ruas empredradas, conhecer recantos por onde espreita a muralha, apreciar o casario, as janelas decoradas com flores e entrar nas suas igrejas. Na Rua Direita, a artéria principal que atravessa toda a vila, há diversas lojas com artesanato de qualidade. Nesta rua tomaremos uma Ginginha de Óbidos, um licor típico da vila, antes do regresso a Lisboa.

Duração: 
8-9 horas
Deve levar: 
Calçado fechado confortável; roupa adequada à estação; no verão é aconselhado usar chapéu e protetor solar.
Condições: 
Preço por pessoa. Mínimo 3 pessoas ou valor de 3. Drop in/ drop off; carrinha com ar condicionado; almoço; provas de vinho; garrafa de água; motorista/ guia em língua inglesa, francesa ou portuguesa.
Fotos: 
José Cruz; Município de Óbidos